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quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Aplicativos e Projetos

Um arquivo seja ele qual for, antes de ser submetido à impressão deve ser construído de forma cuidadosa, respeitando as características de cada software. Na construção de um projeto, para cada tipo de tarefa é recomendável que sejam utilizados programas compatíveis com aquilo que se espera produzir.
Não é raro nos depararmos com projetos criados a partir de ferramentas que não são exatamente voltadas para aquele fim, mas que muitos profissionais insistentemente as utilizam justificando que não enfrentam problemas e que seus arquivos são impressos da forma como eles esperam.

Seja como for, o que se deseja abordar aqui é que os aplicativos voltados para a criação de arquivos digitais podem ser divididos em três grupos distintos, cada um com funções bem delineadas: há os tratadores de imagem (tendo como representantes o Adobe Photoshop e o Corel Photo Paint); os softwares para ilustração (como, por exemplo, o Corel Draw, o Adobe Illustrator) e os desktop publishers (Adobe InDesign e QuarkXpress). Compreender os usos de cada um desses programas e respeitar a natureza daquilo que é produzido por eles pode poupar um bocado de tempo (problemas e retrabalho) na confecção de seu projeto.

• Os tratadores de imagem trabalham com imagens bitmap e são capazes de produzir, editar, retocar e fundir imagens.

• Os softwares de ilustração trabalham com vetores para produzir ilustrações, desenhos e logotipos. São imagens baseadas em cálculos matemáticos.

• Os desktop publishers (ou paginadores) são responsáveis pela diagramação de textos com as imagens provenientes dos softwares de retoque e ilustração. São voltados para a confecção de livros, jornais, revistas e demais publicações do gênero.
Embora os softwares ampliem a sua atuação a cada versão lançada, a centralização de todas as atividades num único aplicativo talvez não seja a solução mais adequada, por mais tentador que isso possa parecer. Não se pode afirmar que um único software centralize todas as tarefas de produção e as realize com um padrão de qualidade satisfatório.

Vejo que alguns profissionais fazem ajustes em imagens (bitmaps) em aplicativos de ilustração vetorial, mesmo que esses aplicativos não forneçam subsídios operacionais adequados para tal tarefa. Outros ainda fazem a diagramação de loooongas publicações em softwares de ilustração vetorial (o que pode se tornar uma tarefa exaustiva pelos parcos recursos disponíveis para esse fim nesses softwares). Apesar disso ser possível, creio na velha (e sábia fala) de “cada macaco no seu galho”. Ferramentas específicas para tarefas específicas.

Talvez o caso mais peculiar que eu tenha presenciado foi a criação de arquivos em aplicativos mais comuns (como os do pacote Office) para na produção de um projeto. Numa oportunidade, o cliente ao telefone mencionava que já tinha providenciado a diagramação de todo o material e que já estava disponível em arquivo eletrônico, pronto para ser impresso. Só não mencionou um pequeno detalhe: havia sido gerado em PowerPoint!

Como sabemos, esses aplicativos atendem perfeitamente a edição de textos, a redação de um contrato, a elaboração de uma apresentação, porém, eles não atendem às exigências de uma saída profissional de alta resolução para a confecção de uma revista, um jornal, um catálogo. Muitos deles trabalham somente em modo RGB e e geram PS’s com códigos não adequados para a geração eficiente de matrizes. Nesses casos, a recomendação do uso desses aplicativos pode ser feita para a digitação e correção de textos que, por sua vez, serão posteriormente importados e utilizados por ferramentas específicas.

terça-feira, 4 de maio de 2010

Provas contratuais: evitando surpresas com a cor de impressão

O uso da cor na impressão é provavelmente tão velho quanto o desenvolvimento dos processos de impressão. Seu uso é de extrema importância para um projeto, pois entre outras coisas a cor fornece informação visual e psicológica. Através do uso da cor, pode-se enfatizar o significado pretendido com uma mensagem.

Além da indiscutível importância que a cor assume para a sintaxe visual de uma peça gráfica, sua observação e controle - sob o aspecto dos processos gráficos - deve ser atentamente observado. Tenho verificado que a cor, juntamente com a revisão textual (!), são elementos geradores de grande tensão para os profissionais de criação em geral.

Uma questão bastante comum que se apresenta é a seguinte: as cores que se apresentam nos monitores não são as mesmas que se verificam na impressão. Como saber, então, se aquele tom de azul escolhido para o fundo de uma página será impresso realmente da forma como foi planejado?

As provas contratuais podem auxiliar a minimizar o problema. Kipphan (2001, p. 490) lista alguns objetivos para o seu uso: controle e monitoramento da qualidade, documento de concordância entre o profissional de criação e seu cliente, referência de cor para a impressão do projeto, documento de referência para a possível re-impressão de um projeto. 

Em suma, podemos dizer que essas provas são necessárias para que se avalie os projetos que serão impressos. Elas são utilizadas para que se simule, ANTES DA IMPRESSÃO, que aspecto terá o seu leiaute terá após sua reprodução. As provas servem também para que o cliente revise o trabalho (os textos, a qualidade das imagens e demais elementos da página) e aprove a produção do material. É de extrema importância para o projeto que o cliente CONFIRA, com calma, as provas contratuais.

Podem ser considerados dois tipos de provas contratuais: as analógicas e as digitais. As provas de cor analógicas são os processos cuja produção demanda a produção de fotolitos. Um exemplo importante desse tipo de prova é a de prelo. Esse processo – uma impressão offset produzida manualmente – utiliza os mesmos suportes e as mesmas tintas que serão usadas na impressão final do material. Através dele, pode-se obter uma simulação bastante próxima do produto final impresso. Deve-se considerar que os custos envolvidos para a obtenção dessas provas são bem maiores o que as torna pouco competitivas se comparadas com as provas digitais. 
As provas de prelo são bastante úteis quando o projeto utilizará cores especiais como, por exemplo, as tintas metalizadas (ouro, prata...), Pantones... A possibilidade de se produzir uma prova sobre o mesmo suporte e utilizando-se para isso a mesma tinta de impressão, proporcionam a geração de provas bastante semelhantes ao resultado final do projeto a ser impresso. Além do prelo, outros exemplos de provas de cor convencionais são a Cromalin e a Matchprint.

As provas de cor digitais dispensam o uso de fotolitos. Descrevem-se dois grupos de provas de cor digitais: as softproofs (baseadas na simulação do resultado final de impressão no monitor), cuja eficiência depende grandemente da correta calibração de monitores e condições de luminosidade do ambiente.

Você percebe a diferença? Monitor e impressão, lado a lado
Stand da EIZO Monitores, Drupa 2008, Düsseldorf / Alemanha
Por Ciro Roberto de Matos

Além delas, há as hardproofs, que podem ser utilizadas somente como instrumento de conferência de imposição dos layouts e também como provas contratuais, para que se analise a cor de impressão. Produzidas diretamente do arquivo eletrônico, essas provas são elaboradas a partir de impressoras jato de tinta, programadas e calibradas para simularem as cores que a máquina de impressão é capaz de reproduzir. As provas digitais são produzidas sobre papéis especialmente desenvolvidos para a sua confecção e proporcionam uma simulação de bastante satisfatória em relação ao impresso final a um custo bastante reduzido se comparado com os sistemas analógicos.

Quanto às provas de cor, Kipphan (p. 563) menciona que as provas "devem ser um exemplo perfeito da impressão final. As condições ideais para uma prova devem ser o uso da mesma impressora, do mesmo papel e da mesma tinta. No entanto, a questão de custo e tempo impõem um severo limite a esse cenário ideal."

As provas analógicas - o prelo, em especial - apesar de representar o estado perfeito da impressão final, esbarra nos custos de produção. Com o advento da informática e a evolução das provas digitais, o processo se tornou mais ágil e menos oneroso. As provas digitais são produzidas diretamente a partir dos arquivos eletrônicos, sem etapas intermediárias e sem o uso de fotolitos ou chapas.
Seja qual for o tipo, as provas contratuais são um recurso muito importante para que designers gráficos, publicitários e seus clientes tenham ciência daquilo que será impresso e que surpresas (desagradáveis) não aconteçam na entrega do projeto!

Devemos ressaltar, no entanto, que uma prova contratual, como lembra Mortara (2007, p. 33-35)  somente consegue ser "prova" de algo se ela tiver a capacidade de simular as condições de impressão. Ou seja, se a prova reproduz as limitações (e capacidades) de um determinado processo de impressão (ou de uma máquina específica, ou de um papel específico...). Ainda segundo o autor, os estudos mais consistentes a respeito da padronização das condições de impressão são encabeçados pelos estudos da ISO, International Organization for Standardization, e sua norma 12647.